História

O Departamento de Eletricidade (atualmente Departamento de Engenharia Elétrica) da Universidade Federal do Paraná foi criado em 1966, juntamente com o estabelecimento do Curso de Graduação em Engenharia Elétrica. Este curso, pioneiro no estado, nasceu através de uma demanda do governo estadual, liderada principalmente pela COPEL - Companhia Paranaense de Energia, que iniciava na ocasião um notável esforço com vistas à eletrificação do estado do Paraná. Nesta época o Paraná era considerado um dos estados brasileiros mais mal servidos em energia elétrica, que atendia somente 20 % dos moradores. Grande parte do sistema elétrico paranaense era formado por centrais geradoras diesel-elétricas, de propriedade de particulares ou de prefeituras municipais, os quais estavam em grande parte em lamentável estado de conservação. Os cortes de energia elétrica chegavam a durar dias inteiros e a confiabilidade dos serviços era abaixo do sofrível. Apesar de ter sido fundada em 1958, foi somente na década de 60 que a COPEL começou efetivamente a operar, assumindo as funções da Cia. Força e Luz do Paraná, de capital estrangeiro, que atendia a região metropolitana de Curitiba.

Devido à demanda da época, o Curso de Engenharia Elétrica da UFPR oferecia inicialmente somente a Ênfase em Eletrotécnica e durante muitos anos praticamente todos os formandos eram absorvidos pela COPEL. Em poucos anos a situação energética do estado do Paraná sofreu uma grande transformação. Em 1970 foi inaugurada a Usina Hidrelétrica Capivari-Cachoeira, construída na Serra do Mar entre Curitiba e o litoral paranaense, que constituiu-se na época em um marco da engenharia brasileira. Esta usina é totalmente abrigada em cavernas escavadas no maciço rochoso, sendo até hoje considerado um dos mais interessantes exemplos de aproveitamento hidrelétrico implementados no Brasil. Atualmente este empreendimento tem o nome de Usina Governador Parigot de Souza, em homenagem a um dos mais notáveis professores da Escola de Engenharia da UFPR, que foi também Presidente da COPEL e Governador do Estado do Paraná. Nos anos seguintes os engenheiros formados na UFPR também trabalharam na construção das grandes usinas hidrelétricas do Rio Iguaçu, sendo a COPEL considerada atualmente uma das melhores empresas de energia elétrica do país, tendo o Paraná alcançado uma posição invejável no cenário nacional, com 100 % dos seus municípios atingidos pela rede elétrica. Uma grande parte do corpo técnico de Engenheiros Eletricistas da COPEL é formada por ex-alunos da UFPR, inclusive nos cargos de direção da empresa. Além disso, como a eletricidade tornou-se um insumo essencial a todas as atividades industriais, os Engenheiros Eletricistas formados pela UFPR na ênfase de Eletrotécnica também encontram farto mercado de trabalho no setor industrial.

Em 1976 o Curso de Engenharia Elétrica da UFPR começou a oferecer, além de Eletrotécnica, a Ênfase em Telecomunicações. Mais uma vez esta decisão foi tomada em consonância com o cenário econômico estadual, motivada pela expansão do sistema telefônico do Paraná. A TELEPAR apoiou a criação dessa ênfase no curso da UFPR, com o intuito de obter engenheiros especializados para promover a ampliação de seus serviços. Dentre as empresas do grupo TELEBRÁS, a TELEPAR foi pioneira na implantação de uma rede em microondas e o Paraná foi o primeiro estado no país a utilizar o sistema de Discagem Direta a Distância (DDD), eliminando operadores e posteriormente adotado no restante do Brasil. Também o Paraná foi pioneiro no uso de fibras óticas para interligação de centrais urbanas, na implantação de ligações interurbanas “à cobrar” sem telefonista (serviço 9 + DDD) e no uso de telefones públicos a cartão. Durante muitos anos a TELEPAR foi considerada como a melhor empresa do grupo TELEBRÁS e o Paraná era o único estado do país na década de 80 a comercializar terminais telefônicos para instalação imediata. O Curso de Engenharia Elétrica da UFPR foi o primeiro na região Sul a ofertar a formação na área de Engenharia de Telecomunicações e responsável pela formação da maioria dos Engenheiros de Telecomunicações da TELEPAR. Após 1996, com a abertura do mercado de Telecomunicações do Brasil à iniciativa privada, ocorreu o aparecimento de outras empresas de prestação de serviços nessa área, que também foram supridas de pessoal originário do Curso de Engenharia Elétrica da UFPR.

Em 1982 o Curso de Engenharia Elétrica da UFPR incorporou a Enfase em Eletrônica a seu rol de opções. Continuando sua sintonia com o panorama sócio-econômico local, esta decisão foi baseada na crescente procura por Engenheiros dessa especialidade por indústrias que iniciaram a se instalar na ocasião na Cidade Industrial de Curitiba. A multinacional Siemens, na época com parceiros brasileiros, estabeleceu em Curitiba a Equitel, fábrica de equipamento de telecomunicações, seguida da empresa japonesa Furukawa com uma fábrica de cabos telefônicos. Juntamente com outras empresas nacionais e estrangeiras, o cenário local delineava um futuro de rápida industrialização para o Paraná, que demandou a formação de profissionais de eletricidade com perfil diferente do que tinha sido formado até então. O Curso de Engenharia Elétrica da UFPR reformulou na ocasião seu currículo e passou a ser um dos principais fornecedores de mão-de-obra especializada para as empresas que se estabeleciam no Paraná. Em poucos anos o perfil sócio-econômico do Paraná apresenta uma mudança para uma base industrial, no qual os Engenheiros formados pela UFPR tem atuado em diversos segmentos, contribuindo dessa forma para o rápido crescimento das indústrias instaladas na região de Curitiba.

Em 2009 um evento de grande impacto foi a criação do turno noturno no Curso de Engenharia Elétrica. Além de continuar no turno diurno a ofertar as enfases de formação em Eletrotécnica e Eletrônica-Telecomunicações, o grupo encarregado do projeto do turno noturno verificou a necessidade de um novo perfil de profissional na região de Curitiba e mesmo no Brasil. Surgiu então a Enfase em Sistemas Eletrônicos Embarcados, ofertada de forma inédita no País no turno noturno do Curso de Engenharia Elétrica da UFPR. As aulas do turno noturno vão de 18:50h às 22:30h, de segunda a sexta feira. No turno noturno, devido a carga horária semanal de aulas ser de 20 horas, a duração do curso foi estendida para 12 semestres letivos (6 anos), focando-se nos alunos que tem necessidade de conciliar trabalho e estudo. Sistemas Embarcados (do inglês Embedded Systems) são todos os equipamentos eletrônicos onde encontra-se a junção de elementos de hardware e software, geralmente em circuitos baseados em microprocessadores e microcontroladores. Na verdade a maioria das pessoas não percebe, mas a vida moderna nos deixa rodeados de equipamentos que são classificados como Sistemas Eletrônicos Embarcados, como é o caso do computador, do telefone celular, do alarme doméstico e até do forno de microondas e da secretária eletrônica. Todos estes equipamentos eletrônicos possuem um programa dedicado associado (conhecido como firmware) que os fazem funcionar da forma como foram projetados. A oferta da enfase em Sistemas Eletrônicos Embarcados no turno noturno do Curso de Engenharia Elétrica da UFPR representa a oportunidade de formação em uma área de alto conteúdo técnico, com grande demanda de profissionais e de extrema importância no cenário eletroeletrônico do Brasil.

departamento/historia.txt · Última modificação: 2012/02/01 10:13 (edição externa)
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